terça-feira, 14 de junho de 2011
Pacóvio
Foi o fim de uma conversa áspera da moça pelo seu telefone celular. Depois daquele "cretino!", dito com aquela força, era de se esperar que a moça jogasse o celular longe, como se estivesse jogando fora o próprio cretino. Mas não. Ela apenas desligou o celular e colocou ao lado da sua xícara de café (ou seria chá?), na mesa. O homem da mesa ao lado certificou-se de que ela estava calma, e não despejaria todo o seu ódio, que pela conversa no celular parecia incluir toda a humanidade, sobre sua cabeça, e comentou:
- Palavra curiosa, né?
- O quê?
- Cretino.
- Por quê ?
- Eu sempre pensei que tivesse alguma coisa a ver com Creta.
- Concreta?
- Não. Creta. A ilha de Creta. Cretino seria alguém de Creta. Que por alguma razão teria a fama de produzir idiotas.
- E não é?
- Não. Fui ver no dicionário. Cretino é quem sofre de cretinismo, uma condição decorrente de problemas na tiroide.
- Não é o caso do meu cretino.
- Eu desconfiei que não era. No dicionário diz que "cretino" também é sinônimo de lorpa, pacóvio...
O telefone tocou. Vivaldi. Ela atendeu rispidamente.
- Quié?
Ouviu por alguns minutos, de cara feia. E ela era linda. Depois disse:
- Sabe o que você é? Um lorpa. Qual é o outro?
- Pacóvio - disse o homem.
- Um pacóvio. Nunca vi um pacóvio igual. O quê? Não, não estou com ninguém. Estou tomando um cappuccino sozinha, pensando em como pude perder meu tempo com um pacóvio como você. Por favor, não me ligue mais.
Ela desligou o telefone. Sorrindo. Ele perguntou:
- Marido?
- Deus me livre.
- Namorado?
- Não é mais.
- Posso lhe pagar outro cappuccino?
***
Mais tarde, já na cama, ela distraída, ele perguntou se ela estava pensando no namorado.
- Não, não. Acabou.
- O que foi que ele fez, afinal?
- Nada. Pacovice geral. Na verdade não nos entendemos desde o início. Ele é bonito. Mas sabe aquele tipo que tem os bíceps na cabeça? É ele. Não podia dar certo.
- Ainda mais com o Vivaldi.
- Como, Vivaldi?
- É o que toca no seu celular. Vivaldi. Uma das quatro estações. Tenho uma tese de que se pode saber tudo sobre uma pessoa pelo que ela escolhe para tocar no seu celular. Uma vez rompi o namoro com uma mulher quando descobri que o celular dela tocava Wagner. Achei que seria perigoso. Já uma mulher que escolhe Vivaldi...
- Não é para qualquer cretino.
- Definitivamente não.
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..............................................................................Luís Fernando Veríssimo
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Eduardo e Mônica
Muito bonitinho o video. Assistam. :D
terça-feira, 24 de maio de 2011
Bob Dylan
Robert Allen Zimmerman, Bob Dylan, é um cantor americano.

Forever Young

quinta-feira, 19 de maio de 2011
Lykke Li e Poesia
Lykke Li lançou o segundo álbum agora em 2011, o Wounded Rhymes. E já conhecia suas músicas ótimas e tocantes – Little Bit, Tonight, Let it fall... – mas quando vi o clipe que ela lançou há pouco de “I Follow Rivers”, foi... Inexplicável. Esse clipe exerce um poder sobre mim que me hipnotiza; perdi a conta das vezes que assisti. HAHAH
Bom, mesmo que seja parado e monótono, assistam o clipe. Tentem interpretá-lo, ainda que não tenham certeza vejam até o final antes de ler as interpretações que estão abaixo do video.
Viram? VIRAM? Estou encantada por esse clipe. É poético em demasiado; é tocante, profundo, emocionante... O clipe é tão poético que abre brechas para diferentes interpretações – o que é o maravilhoso da arte.
Então, por exemplo, no youtube está correndo diversas opiniões a respeito do clipe. Uns acham que ela está correndo na neve e o seguindo porque está batalhando pelo seu amor, e ele de inicio foge, mas depois se rende. Outros acham que por estar de preto ela é a figura da morte, e que segue alguém comum – o rio “river” nesse caso, que representa a vida, sem destino especial –, este alguém comum por sua vez tenta fugir da morte, mas a morte, como já o sabemos, é inevitável e o seduz no final. Li também que, como o ator tem traços de aparência do oriente médio, representaria, já que Lykke Li está vestida numa roupa que lembra a burca muçulmana, o atraso masculino por estes repreenderem as mulheres.
Qual interpretação está certa? Não sei, mas isso é que é fantástico, a meu ver.
Beijos, bom final de semana. :D
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Cisne Negro e Catarse

Tenho certeza que vocês já ouviram falar, ao menos, do filme “Cisne Negro”: que é muito bom e que a Natalie Portman mais do que mereceu o Oscar, etc... E esses dias fui ao cinema assisti-lo, com uma expectativa relativamente baixa, para evitar decepções. E, honestamente, não me decepcionei, pelo contrário, não vi as duas horas de filme passarem e foram duas horas muito emocionantes.

O filme conta a história de uma bailarina extremamente dedicada (Natalie Portman), com sua técnica perfeita, mas que não consegue se soltar e dançar com emoção. Ela faz o teste para o papel “Rainha Cisne” do balé “O lago dos cisnes” – Se forem assistir o filme, pesquisem sobre o balé Lago dos Cisnes, caso não conheçam a história – papel esse que exige que ela interprete duas personagens: o Cisne Branco, delicada, com movimentos suaves, e o Cisne Negro, ágil, perversa, sedutora. Para o papel do Cisne Branco ela é perfeita, mas para o Negro, não. E ela passa o filme se transformando no Cisne Negro, com todas as dificuldades que a tal transformação proporciona.
É um filme ótimo: chocante, amedrontador, surpreendente. Natalie Portman está perfeita nesse papel, perfeita; não tinha como não ganhar o Óscar.
Sei que quando o filme acabou, eu fiquei estacada na poltrona do cinema. Perplexa, imóvel. Estacada. Estacada. Olhei para minha mãe ao meu lado e ela estava igual. Eu entrei num estado de êxtase, de choque, como se eu tivesse virado monge budista e tivesse meditado até ir para outra dimensão... Chorando e rindo ao mesmo tempo, com uma sensação tão pacífica, tão eufórica, tão... Completa. E tudo isso devido a um filme. (!!)
Saímos do cinema comentando animadamente o filme e como ele se desenrolou, e eu ainda estava com a mesma sensação – e o rosto levemente inchado de choro, mas isso é detalhe. Minha mãe sorriu ao me ouvir tentando descrever aquela sensação indescritível e concluiu: “Tu entrou em um estado de catarse”.
Catarse... Hã? Catarse é um termo empregado para designar uma espécie de libertação, prazer ou serenidade que a poesia, a tragédia e a música provocam no homem.
“Este prazer (catarse) compõe-se de vários elementos: consiste num desafogo, um repouso, num modo de ocupar os lazeres – num gozo intelectual –, numa vantagem que não é inútil aos bons costumes; enfim, opera a catarse, palavra que uns traduzem por purificação e outros por purgação.
(...)
Aristóteles, (...) entende pela catarse uma expulsão provocada de um humor incômodo por sua superabundância. Do mesmo modo que a música apaixonada, a tragédia, bem concebida, deve determinar no auditório, que se deixou empolgar pelas paixões expressas, num gozo que, no final do espetáculo, dá impressão de libertação e de calma, de apaziguamento, como se a obra tivesse dado ocasião para o escoamento do excesso de emoções. ”
É uma das melhores sensações do mundo, se vocês querem saber, e quase fico triste ao saber que se eu assistir o filme de novo, não terei de novo a mesma sensação.
Mas quanto ao filme: assistam-no, assistam-no. :D Só não esperem se sentir do mesmo jeito que eu me senti depois de toda a minha “propaganda”; até porque eu acredito que seja algo muito relativo.
Beijos, meus lindos.
Fontes: minha mãe, rá, http://www.didacticaeditora.pt/arte_de_pensar/cap13.html, e Arte Poética, texto integral, de Aristóteles.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Coraline e o mundo secreto
Explicando melhor: "Neil Gaiman criou uma história envolvente. O livro, de 2002, conta a história uma menininha que se muda pra uma casa antiga. Totalmente desprezada pelos pais, ela resolve explorar. Numa sala quase não usada, Coraline encontra uma porta lacrada. É mucho louco. Ás vezes, quando ela abre a porta, lá dentro tem tijolos barrando a passagem, ou em outras tem corredor. Quando Coraline atravessa a portinha, encontra um mundo muito parecido e diferente do seu ao mesmo tempo. Todas as pessoas lá têm olhos de botões, são felizes até demais e prestam total atenção nela. Mas nem tudo é o que parece ser, babes."
A base da história é a mesma, mas a maioria do filme é diferente da história original. Gostei muito da animação do filme (que btw é stop-motion), com muita coisa dançante, colorida e louca. Mas os personagens são um tanto mau humorados, me fazendo escolher o livro como preferido. É bem bonitinha a história, acho que vocês puderam notar que me interesso por histórias de mundos paralelos e etc.. (cof, febre de Alice, cof cof)
Aqui o trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=ddRv0IjJBfc (não consigo incorporar de novo, eba!)
"Quando a aventura bater na sua porta, pense duas vezes antes de abrí-la!"
Teve gente que, antes de ver, achou ser desenho de criancinha mas depois amaram - yo!
No filme chove e neva. Deve ser por isso a ligação que liguei entre a história e dias frios, nham. Depois de ver o filme me deu uma vontade de pintar o cabelo de azul! Vejam, e é isso. Au revoir!
sábado, 9 de abril de 2011
Café
O café já não faz mais tanto efeito em mim, mas eu não acordo sem café. Me sinto uma ameba, um vegetal, sobrevivendo, sem nunca ter tempo. Estudando, estudando, estudando. O tempo corre sob meus olhos enquanto eu tento resolver enormes problemas de matemática que ah, tem de ser entregues amanhã. .
Minha língua continua ardendo, eu só tomo café. Não é responsabilidade demais nas costas de uma adolescente? Estude três anos para passar num vestibular que definirá o que você fará para o resto de sua vida. Educação é investimento; falta de tempo é investimento? Mais café, por favor.
sábado, 2 de abril de 2011
3OH!3